Piratas do Caribe 4 - Navegando em Águas Misteriosas
Tamanho: 369 Mb
Áudio: Português
Legenda: Sem legenda
Formato: RMVB
Qualidade: TS (nota 8)
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento: 2011
Tamanho: 369 Mb
Áudio: Português
Legenda: Sem legenda
Formato: RMVB
Qualidade: TS (nota 8)
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento: 2011
No meio da projeção de Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriosas, passei a me questionar se eu não andava muito chato. Até o momento, nenhum blockbuster deste ano conseguiu me conquistar ou me divertir que fosse. Ainda assim, parece que o público tem saído satisfeito dos cinemas mesmo que os atuais sucessos, na minha visão, mal cheguem à classificação de medianos.
A sensação de que meu nível de exigência poderia andar meio descontrolado foi mais forte em Piratas do Caribe 4 porque eu tinha a impressão, antes de entrar na sala, de que seria uma obra realmente legal. Retomaria um pouco mais a simplicidade do primeiro filme e deixaria os excessos (de duração, de personagens, de reviravoltas) do terceiro para trás. Pois é. Ledo engano.
Foto: Divulgação
A história da quarta parte das aventuras de Jack Sparrow começa com a trama sugerida ao final dePiratas do Caribe - No Fim do Mundo: a procura pela a mítica Fonte da Juventude. O pirata interpretado por Johnny Depp está em Londres para um resgate e acaba se envolvendo numa corrida em encontrar a dita fonte (onde, aliás, Sparrow já teria ido). Participando desta disputa, há espanhóis, ingleses (comandados pelo seu antigo desafeto, Barbossa) e o pirata Barba Negra -- além da linda Angélica, o interesse romântico do nosso herói.
O primeiro problema da trama é que ela é um remendo de diversas "fontes" (não fazendo trocadilho com a Fonte da Juventude, esteja bem claro). Ao mesmo tempo em que é uma continuação de três filmes, que por sua vez foram baseados num brinquedo da Disneylândia, teve também partes "sugeridas" pelo livro On Stanger Tides, de Tim Powers (que nada tem a ver com os filmes).
Seja lá o que é um roteiro "sugerido" por um livro, ao invés de uma adaptação direta. Isso denota quão retalhada a narrativa é. Há uma quantidade imensa de personagens, não conseguimos entender muito bem o que todos eles querem e, não raro, suas ações parecem incongruentes. Alguns aparecem, inclusive, de maneira aleatória (como Keith Richards fazendo mais uma vez o pai de Jack Sparrow). Os roteiristas Ted Elliot e Terry Rossio também têm problemas em retomar a boa comédia dos filmes anteriores e são poucas as risadas que o tresloucado Sparrow e companhia conseguem arrancar desta vez.
Tudo bem se esta história enrolada (e sem aquela graça de antes) resultasse em boas cenas de ação. Havia um interesse da minha parte em ver como que um diretor de musicais, Rob Marshall (de Chicago) se sairia na tarefa. Pois ele decepciona: Piratas do Caribe 4 não tem nenhum momento empolgante como o clímax na caverna de A Maldição do Pérola Negra, o duelo triplo na roda do moinho de O Baú da Morte, a espetacular batalha na tempestade de No Fim do Mundo.
Não é por falta de tentativa, contudo, que o título não consegue se equiparar aos seus antecessores. Ideias batidas da trilogia original são repetidas aqui, como a tripulação zumbi e o navio em tons sombrios de velas sempre rasgadas. Há também a inclusão de canções de maneira dramática em cenas cruciais -- aliás, a melhor sequência do filme (e a única que lembra o brilho de aventura que a película prometia) usa uma música cantada por um marujo e por uma sereia para construir um clima de suspense. Aliás, a trilha sonora de Hans Zimmer parece estar no automático: usa os ótimos temas compostos por Klaus Badelt para A Maldição do Pérola Negra em boa parte do filme e só vai se soltar mesmo, com coros épicos e tudo mais, no final da projeção.
Mas e a grande estrela, Jack Sparrow, um dos melhores personagens do cinema de aventura, não basta para segurar o filme? Johnny Depp, artista inteligente que é, sabe que seu personagem foi promovido da condição de coadjuvante de luxo para a de protagonista. É possível ver várias nuances novas do seu personagem que não só os trejeitos afetados. No entanto, parece ser mais a percepção de um ator talentoso do que uma exigência do roteiro ou uma indicação da direção -- e ele faz o que pode com o material que tem.
Os demais atores também se esforçam -- e ver Geoffrey Rush como Barbossa é sempre uma delícia, ainda que a sua presença na trama pareça uma necessidade da franquia e não da história. O Barba Negra de Ian McShane faz jus, por outro lado, aos bons vilões da série. Pena que a atenção é dividida entre outros tantos antagonistas. Penélope Cruz está linda e sexy, como sempre, e é outra que faz o que pode com sua personagem.
O caro leitor talvez ache estranho, mas a trama parece carecer da presença de Orlando Bloom e Keira Knightley e seus personagens fortes (a Elizabeth de Keira é uma das melhores mocinhas que eu já vi num filme: inteligente, sensual e decidida). Eles auxiliavam na comédia e davam o tom trágico e épico que também funcionou nas obras anteriores (para quem lembra, a resolução deste romance em No Fim do Mundo é surpreendente e muito bonita). A ausência é tanta que o roteiro emula uma relação semelhante não com Sparrow e Angélica, mas entre o clérigo Phillip e a sereia Syrena.
Por fim, o último problema de Piratas 4: tem um dos piores 3D desta última leva. Além de se passar quase todo em cenas noturnas (o efeito aumenta a escuridão da fotografia), é óbvio que os enquadramentos não foram pensados levando em conta a tecnologia. Alguns objetos (como a ponta das espadas) chegam a perder o foco quando "avançam" em direção à plateia. Em vários momentos, nota-se a interface bipolar do 3D e a visão periférica enche-se de pontos verdes e vermelhos. Está claro que Rob Marshall filmou-o de maneira normal e que depois a fita foi convertida -- com resultados pra lá de questionáveis.
Divertido? Talvez... Ainda que longo, pouco emocionante, pouco engraçado, pouco empolgante. E para provar que eu não ando chato demais, assisti aos outros Piratas do Caribe esta semana. Minha impressão se confirmou: Navegando em Águas Misteriosas é mesmo o mais fraco.
Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriosas
(Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides, EUA, 2011)
Direção: Rob Marshall
Trilha Sonora: Hans Zimmer
Roteiro: Ted Elliot e Terry Rossio, baseados nos personagens criados por eles, Stuart Beattie e Jay Wolpert e sugeridos pelo livro On Stranger Tides, de Tim Powers
Elenco: Johnny Depp, Penélope Cruz, Geoffrey Rush, Ian McShane, Kevin McNally, Sam Clafin, Astrid Berges-Frisbey, Keith Richards TRAILER

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